Água: Sabesp aumenta desperdício, enquanto população economiza

February 8, 2017

Gasto por habitante caiu de 169 litros por dia para 120 litros mas, por outro lado, perdas com vazamentos passaram de 30,6% para 31,8%, no ano passado

Especialista afirma que perdas e vazamentos por parte da Sabesp são superiores ao período pré-crise hídrica

 

 

São Paulo – Segundo dados divulgados pela própria Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), enquanto a população economizou 29% da água tratada, em 2016, a Sabesp registrou desperdícios de 31,8%, registrando aumento em relação ao ano anterior, quando as perdas atingiram 30,6%. 

 

Marcada pelos efeitos da crise hídrica que assolou o estado de São Paulo entre 2014 e 2015, que combinou falta de planejamento pelo governo de Geraldo Alckmin com alterações climáticas, a população mudou hábitos e reduziu o consumo. Há dois anos, o gasto média diário por habitante era era de 169 litros e caiu para 120 litros, em 2016. 

 

"A população está fazendo a sua parte, está economizando. Percebeu isso com essa última crise. Falta a Sabesp e o governo do estado, o poder público, fazerem a sua parte também", afirma Ricardo Guterman, membro do coletivo Luta pela Água, em entrevista ao repórter Paulo Castilho, para o Seu Jornal, da TVT. 

 

"Os índices de perda de água são superiores aos que havia em 2012. Numa entrevista recente, o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, reconheceu que eles pararam todas as atividades relativas ao controle de perdas", ressalta Guterman.

 

Segundo ele, isso se dá porque a Sabesp gerencia a água como uma mercadoria, e não como um bem público de direito universal, com vistas a garantir lucros para os acionistas da empresa, que tem 49,7% de suas ações nas mãos de investidores. 

 

Para o presidente do Sindicato de Trabalhadores em Água, Energia e Meio Ambiente de São Paulo (Sintaema), Rene Vicente dos Santos, o crescente desperdício de água se dá também em função da terceirização dos trabalhadores responsáveis pela manutenção da rede e combate a vazamentos, que não têm qualificação técnica equivalente aos dos funcionários concursados, em sua maioria com mais de 10 anos de experiência. 

 

"Muitas vezes o serviço acaba voltando para a Sabesp, uma vez que foi tentado corrigir uma, duas, três vezes (pelas empresas terceirizadas) e não apresenta um resultado", explica Rene. Segundo dados do Sintaema, apenas a metade dos quase 28 mil trabalhadores na Sabesp é de funcionários próprios.

 

 

 

 

 

 

 

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